quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Pequeno Conto na Madrugada

Ela costumava esconder seus rascunhos em folhas amareladas. Segurava seus papéis como se fossem tesouros.




Comprimia-os sobre seu corpo quando alguém se aproximava, ficava horas junto a elas só para ter a certeza que eram suas.




Sempre que a perguntavam o que estava escrito,

Hannah respondia qualquer coisa

com ar de muitos segredos.


Era uma tarde chuvosa e cinza quando notaram a ausência de Hannah.


Depois de horas de busca pela menina

a encontraram no porão.



Sem ar, com o coração em pleno descanso.

Não se via muito sua face, seus cabelos encobriam a maior parte de seu rosto.

Usava seu moletom favorito e seu batom cor de boca,

o qual proporcionava um contraste com tamanha palidez em sua face.

Não havia mais vida.
Erick pensou ter encontrado resquício de um sorriso em seu rosto enquanto a observava.

Foi uma morte bonita,

uma morte leve...


Se não fosse a imobilidade e sua falta de cor,

pensaria que estava apenas adormecida.
A paz que ela possuía durante a vida continuava estampada na sua morte.



Erick era o único que sabia o esconderijo de seus papeis.

Ele a vira duas vezes tocando o mesmo livro na prateleira de seu quarto.



Era um livro com capa cor de poeira e saudade,

escrito por alguém que não tivera sucesso na área literária,

um desconhecido poeta.

Não hesitou em procurar os papéis,

sentiu um misto de culpa e curiosidade.

O da curiosidade se sobressaiu.
Subiu as escadas em silencio absoluto.

Somente seus passos possuíam voz naquele momento.

Entrou no quarto de Hannah e logo avistou a estante.

Lá estava o livro e dentro dele todas aquelas folhas avulsas

cheias de pensamentos.


Agora aquelas folhas eram suas.

Os segredos da menina estavam agora em suas mãos..




Quais seriam esses segredos?


-Possuíam cor, data ou alguma forma?
Pensava ele olhando para todos aqueles papéis


Tocou as folhas mas não as leu até chegar em sua casa.

Subiu as escadas e entrou em seu quarto.
Nem se lembrava da menina que havia morrido.

Ele queria os segredos,
nada mais.

As folhas estavam amassadas,

devido ao tempo que passavam nas mãos de Hannah.
Eram irregulares no tamanho.

Amareladas na cor.
Não havia nada nelas além de algumas palavras avulsas.


Nenhuma sequencia ou ordem de pensamento.

Hannah não possuía um passado digno de ser lembrado,

nem sonhos suficientes que a fizessem escrever.


Pobre garota sem história,

sem sonhos e agora,

sem vida.
Hannah tinha sido apenas um rascunho pensado,

incapaz de se fazer verbo.
-O que ela pensava ao segurar essas folhas?_pensava Erick consigo mesmo.

-O que a fazia pensar que eram especiais?


Se havia algo que Hannah sabia fazer era atribuir valores as coisas simples da vida,

mas super estimar folhas com palavras sem sentido?


Talvez ela as tocasse para imaginar historias que nunca viriam a ser escritas,

aquelas que são tão fortes que papeis não suportariam seu peso.


Histórias sonhadas, com múltiplos finais,

os quais poderiam ser reinventados todos os dias,

quantas vezes desejasse,

adaptáveis a necessidades de sua alma.



As folhas eram especiais por não terem passado,

nem manchas,

nem historias.

Assim como ela.
Hannah logo será esquecida, mas aquelas folhas talvez possuam um tempo de gloria maior que o dela.

Ninguém tem as respostas sobre aqueles papeis,

mas cada um gosta de pensar no que significavam.
O que poucos sabiam era que Hannah tinha medo dos finais,

por isso nunca terminava nada,

sua vida era feita de metades.



Desse modo poderia pensar sobre os cem caminhos que poderiam ser percorridos,

não limitar sua vida a um destino concreto.

O medo de possuir historias repetidas e enfadonhas

lhe eram como fantasmas.



Ela conseguiu se fazer historia por não possuir prefácio nem dedicatória.

Era historia que não tinha um fim.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Lembre-se disto.

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...




Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.



Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?


Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.


Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.


O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.


As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...




Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.



Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.



Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.



Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.



Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!



Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.


Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és...

E lembra-te:

Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.

Pequenos rabiscos

O amanhecer é promessa de novas histórias e, hoje, amanheceu aqui dentro de mim

O mais  interessante é que as vezes a  vida costuma esconder, entre os escombros, raras lições de amor e da grandeza do que é a vida ..


Eu roubaria mil estrelas pelo seu sorriso

Eu romperia assim a barreira tempo e espaço
velocidade e luz
Para estar em teus braços
em teu abraço
Em tua companhia...

Quem explica a vida é porque ainda não a conheceu de perto

Com um tempo
descobrimos que com um tempo todos somos insubistituiveis ..



'Tinha um relógio 'grande assim' na torre e eu queria agarrar nos ponteiros, segurar as horas.


Por que é que o tempo não parava um pouco?

Queria ficar lá, dependurada, segurando o tempo.'



Lygia F. Telles.

sábado, 27 de agosto de 2011

meu slide


Só pego estrada se meu coração for junto

Eu estive procurando de maneira tão errante e ferida

E envergonhada de forma que eu estive com medo
Você vê quem eu realmente sou

E você me compreende, mesmo quando ninguém pode me acalmar e tranquilizar minha dores e dúvidas..

Não importa a onde eu estiver você sempre me encontrará
Teus braços estão abertos para me proteger desse medo e frio que agora parece tomar conta de mim.

Não há nada a esconder,não da tua inifinita presença
Como pode ser isso, como poderei retribuir?

Me canso de tudo que é 'meio termo'.

Só pego estrada se meu coração for junto, inteiro
Por que tenho medo de dizer quem sou?
Porque o que sou é tudo o que tenho e você pode não gostar...'




Teus braços estão abertos para me proteger desse medo e frio que agora parece tomar conta de mim.

Não há nada a esconder,não da tua inifinita presença

Como pode ser isso, como poderei retribuir?

Um amor tão infalível ?
Eu vejo sua mão estendida e levantandodoa dias nebulosos e tristes
Estou segurando-me ao teu lado
Agora eu estou indo embora
Da vida, eu já sabia
E correndo em sua graça

Cobres a minha vergonha de novo e de novo

Eu encontrei a minha vida em Ti
Não importa onde eu estive

Teus braços sempre estarão abertos para mim


Está escuro á noite ,e tudo está fechando ao meu redor, mas a tua luz nesse momento está me iluminando e no meio da escuridão a clara luz me segue e me guia ao lugar certo.

Estou voltando

Os medos me incapacitam e as dores me paralisam e mudam todo meu pensamento,

Como eles tem me amarrado? Ainda estou tentando descobri...


E me pergunto se vou deixar esse momento tomar o melhor de mim?

Ou se vou tentar ao menos mudar essa situação?

Olhando ao meu redor estou vendo apenas a vida passar como uma brisa.