quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Um grito mudo somali

" Essa semana enquanto olhava foto do jornal me causou horror. A criança somali lembrava um ET desnutrido. O corpo, ossinhos estufados sob a pele escura. A cabeça, enorme, desproporcional ao tronco minguado, se assemelhava ao globo terrestre. A boca – ah, a boca! – escancarada de fome emitia um grito mudo, amargura de quem não mereceu a vida como dom. Mereceu-a como dor.




Ao lado da foto, manchetes sobre a crise financeira do cassino global. Em dez dias, as bolsas de valores perderam US$ 4 trilhões. Estarrecedor! E nem um centavo para aplacar a fome da criança somali? Nem uma mísera gota de alívio para tamanho sofrimento?



Tive vergonha. Vergonha da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que reza que todos nascemos iguais, sem propor que vivamos com menos desigualdades. Vergonha de não haver uma Declaração Universal dos Deveres Humanos. Vergonha das solenes palavras de nossas Constituições e discursos políticos e humanitários. Vergonha de tantas mentiras que permeiam nossas democracias governadas pela ditadura do dinheiro.


Enquanto lia essa parte da reportagem transmitida pelo correio cidadania , me perguntava se palavras servem de consolo para aqueles que não tem mais forças para pedir ? se esses olhares perdidos um dia terão respostas ? Então percebi que não alguns não terão a sorte de ver o amanhã chegar muitos ainda permanecerão a espera de que um milagre aconteça.

Não ,eles nunca vão entender porque países tão ricos e desenvolvidos vivem a constante do poder , e porque sua nação ainda vive aprisionada a fome e a escassez .Porque a cada dia o nivel de mortalidade e guerras avançam de maneira alarmanete sem nenhum exagero, eles não entendem porque sua súplica não se pode ouvir. Porque a cada dia centenas de crianças morrem na somalia e em outras regiões da áfrica ,porque esses olhares alcançam apenas o céu acreditando que lá surgirá uma esperança ,e talvez muitas delas nada verão além da luz que ilumina um olhar triste e sofredor. são vidas pequeninas que ainda descohecem a maldade e a luta pelo poder, Não conhecem a história de sua nação que tinha tudo para ser um país feliz e desenvolvido e hoje vive a espera de um dia terem uma vida melhor.


Eles não compreendem porque seu grito não se pode ouvir , eles acreditam que alguém os pode ver ,Talvez não haja mais força para o grito chegar aos ouvidos das grandes potências mundiais talvez elas estejam muito mais preocupadas com o dolar que cair do que com as vidas que não voltarão mais a clamar , porque não haja mais compaixão nos corações humanos , ou talvez por não haver mais sencibilidade nesta era em que o dinheiro e o poder falem mais alto . Eles vão continuar não entendendo porque neste mundo injusto, uma elite privilegiada dispõe de tanto dinheiro que se dá ao luxo de aplicar o supérfluo na gangorra financeira à espera de que o movimento seja sempre ascendente. Sonha em ver sua fortuna multiplicada numa proporção tão grandiosa que daria para reconstruir duas áfricas .




Ora, a realidade fala mais alto que os sonhos e a necessidade que o supérfluo. Toda a fortuna investida na especulação explica a dor da criança somali. Arrancaram-lhe o pão da boca na esperança de que a alquimia da ciranda financeira o transformasse em ouro.



À criança faltou o mais básico de todos os direitos: o pão nosso de cada dia. Aos donos do dinheiro, que viram suas ações despencarem na bolsa, nenhum prejuízo. Apenas certo desapontamento. Nenhum deles se vê obrigado a abrir mão de seus luxos.Enquanto isso, a criança somali terá sua dor sanada pela morte precoce. E a Somália se multiplicará pelas periferias das grandes metrópoles e dos países periféricos afetados em suas frágeis economias.