terça-feira, 29 de março de 2011

recordações


Deixe pessoas!


eixe as pessoas!

outubro 17, 2008
Quando não julgar é a melhor decisão
Em nosso grupo de amigos da igreja, Belinha é a filha de 5 anos de uma jovem mãe. Esperta e doce, a menina conquista o coração de todos, sem muito esforço. O fato de conviver com pessoas mais velhas a faz usar expressões e palavras que nos surpreendem. Certa vez, enquanto alguns jovens “discutiam” (para não dizer fofocavam) a situação de um irmão da igreja, ela virou para eles, largou seu brinquedo e disse: “Deixa as pessoas”! Você consegue imaginar a cara de cada adulto, não é? Em apenas 5 anos de vida ela já aprendera uma importante lição: julgar não é legal.
É fácil dizer se alguém está certo ou errado, de acordo com o que vivemos ou deixamos de viver. Todos nós criamos padrões de justiça, mais ou menos severos, de acordo com nossas experiências e nosso olhar crítico. Pense em um casal que, durante sua vida inteira, participou de uma igreja, foram professores de escola bíblica e nunca sofreram um deslize no casamento. Sabe qual é a provável primeira frase deles ao se deparar com um caso de adultério de um casal amigo? “Que horror. É um péssimo exemplo…melhor nossos filhos não irem mais até a casa deles…”. Exagero? Bom, somos viciados em exageros e esteja certo, isso acontece. É um puritanismo de matar, não? Pense agora em um adolescente que foi pego roubando na escola. Você pode julgar como um daqueles casos “sem solução” e propor que o expulsem e denunciem para o conselho tutelar. Pois é. De fato, são pecados terríveis, tanto um quanto outro. Tão terríveis quanto o nosso julgamento diante da situação e sobre as pessoas. Quem atira a primeira pedra?
O problema é que não analisamos o passado de ninguém, as influências, as dificuldades, os motivadores para que tal fato acontecesse. É bem verdade que pecado é pecado. Não podemos discutir o que está certo e o que errado – temos isso bem claro na Palavra e até mesmo nosso senso moral é capaz de discernir (se bem que na atual sociedade, é de se duvidar). Mas podemos e devemos procurar saber o que está por trás da história. Isso se chama sensibilidade e justiça.
Você pode lembrar quando alguns homens judeus chegam até Jesus empurrando uma mulher e dizendo para apedrejarem-na em função de seu pecado? As palavras de Jesus são usadas até hoje – pena ser lembrada apenas quando trás benefício próprio. Ele disse: “quem não tem pecados, então, que tenha a iniciativa do apedrejamento”. Ou, em outras palavras – mais moderna e cantada por uma banda recente – quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra! Como diriam meus conterrâneos gaúchos: “báh”. Báh mesmo…que saída fantástica, que lição de moral, que exemplo, que modelo a ser seguido!
A justiça de Deus nunca foi “um só peso, uma só medida”. Veja bem, Seus mandamentos não mudam e não podem ser contextualizados. A mulher pega em adultério naquela época estava em pecado. Uma mulher (ou homem!) pego em adultério hoje está tão em pecado quanto estiveram aqueles nos primeiros séculos. Entretanto, a maneira como Deus trata cada pessoa é singular, leva em conta os temperamentos, as situações vividas, as orações, a confiança, o arrependimento.
Sei que é difícil entendermos. É difícil pensarmos em um pecado e dois tipos de tratamento. Por que será que algumas pessoas mentem e nada lhes acontece de mal? Ou, qual o motivo de uma adolescente engravidar após sua primeira relação sexual e a outra se “safar” depois de tantas vezes? Você e eu diríamos: ‘é uma injustiça!’, não é mesmo? Quando muito alguém poderia dizer: isso é pura sorte! Mas na verdade, isso é justiça, medida para cada um! Deus sabe o que vem pela frente, quem irá mudar de atitude sendo tratado apenas por Ele, sem conseqüências severas, e quem deve sofrer a dor do pecado, para aprender.
Fico emocionada e extremamente grata a Deus quando penso em sua dedicação exclusiva a cada filho. Se ele nos criou diferentes, porque trataria a todos da mesma maneira? Ele, melhor do que qualquer um, sabe de nossos dons e temperamentos e consegue extrair de nós o melhor, através de seu tratamento e correção ímpar. Sou a filha caçula, tenho mais dois irmãos – nossa diferença de idade de um para outro é cerca de 5 anos. Quando criança, vários invernos eu aproveitava os casacos que não serviam mais neles – e reclamava, é verdade, pois queria um novinho! Mas o fato é que meus pais nunca deram para um o que deram para outro, na mesma quantidade, modelo e cor! Vejo em algumas famílias que quando um filho precisa de um tênis novo, então todos ganham um tênis novo – igualzinho! Nunca entendi isso – até porque em minha casa não funcionava assim. Se apenas um precisa, por que todos ganham? E por que precisa ser o mesmo tênis e marca (e preço) para cada um? Não temos nós preferências particulares? Por que os pais insistem em colocar os filhos em um mesmo saco, se nasceram em épocas diferentes, com gostos e estilos diferentes e até mesmo situações econômicas diferentes? E quanto ao chefe da empresa resolve dar um salário padrão para todos os funcionários, independente de seu cargo e qualificação profissional? E o noivo que trata sua futura esposa exatamente como tratava sua ex-namorada, como se aquele fosse o melhor referencial de amor, sem novas possibilidades? Não é tudo isso uma grande injustiça?
Costumeiramente usamos a palavra “justiça” como algo ruim, de castigo eterno. Se alguém rouba algo de você, prontamente você diz “Deus é justo e esse ladrão vai queimar no fogo do inferno”. Estamos acostumados com a justiça dos homens, que machuca as pessoas e as envergonha. Se o juiz declara que o réu receberá pena de 75 anos de prisão, você vibra e diz que justiça foi feita. Mas se ele disser que o réu foi livre de acusação, posso ver sua cara de indignação e suas palavras duras – nesse país, a justiça nunca funciona. Mas qual é o problema? Os advogados e promotores analisaram o caso, as provas – ou falta delas – foram vistas, as testemunhas falaram e uma decisão foi tomada – é justo! Não vou entrar aqui na questão da corrupção no sistema do tribunal de justiça, sabemos que existem falhas e muitos são prejudicados com isso. Mas ainda que tenhamos uma justiça limpa e dedicada, não gostamos de ouvir que o acusado foi livre da detenção, pois não entendemos isso como justiça. Para nós, justiça é sempre o lado ruim, que traz conseqüências desastrosas e fere a protagonista da história.
A história de Adão e Eva e o que lhes aconteceu é um clássico de nossa falta de entendimento da justiça e do amor de Deus. O que ensinamos para as crianças? O homem pecou, desobedeceu a Deus e, como castigo, Deus os expulsou do Jardim do Éden para nunca mais voltarem! Não…não foi esse tom que Ele queria dar à leitura desse texto. Deus amou tanto o homem, a sua criação, que o fez sair do jardim e vir sobre eles a morte – caso contrário, o homem continuaria pecando e piorando eternamente! Já pensou como seria duro viver a eternidade, aqui na terra, em pecado e afastado de Deus? Cada vez descobrindo novos prazeres pecaminosos, de depreciação do corpo e da mente, de destruição do próximo e de desonra a Deus. Seria terrível. Mas Deus não deixou isso acontecer. Ele os tirou do jardim e trouxe a solução – a sua justiça!
Adão e Eva, logo após pecarem, tentaram um jeitinho brasileiro de resolver as coisas. Você lembra bem – eles não procuraram Seu criador, não conversaram a respeito, não pediram perdão, nem mesmo reconheceram seu próprio erro! Eles saíram desesperados, atrás de algumas folhas, para cobrirem seus corpos, como símbolo de uma justiça própria. Eles mesmos queriam resolver tudo aquilo, de um jeito ou de outro. Nesse momento Deus vem com sua justiça – quanto alívio! Era óbvio que folhas de figueira não eram capazes de desfazer o erro. Mas Ele foi capaz de enviar Sua própria justiça a favor de nós, pecadores.
Nesse momento Deus sacrifica o primeiro animal, em referência ao que faria com seu Filho, para nos justificar. Ele toma a pele do animal e veste o homem com um lindo casaco de couro! Sim, Ele tirou nossos trapos de imundícia, nossa moda de folhas de figueira, e nos vestiu com vestes de justiça, providenciadas por Ele mesmo! Jesus não teria motivos para vir a Terra. Ela já conhecia tudo lá dos céus, Ele estivera presente na criação e, certamente, aqui não seria melhor do que Seu lar! Pense bem, Ele não veio na forma de homem para dar uma bronca em Adão e Eva; não fez esse esforço para colocar satanás em seu lugar; também não veio porque os jornais clamavam por notícias sensacionalistas. Ele veio por você! Só para que você tivesse uma nova chance e fosse levado novamente ao jardim, para desfrutar da amizade com Deus.
Você tem medo do Deus justo? Eu não. Não consigo pensar em como o melhor poderia ser o pior. Algumas pessoas pensam no dia do grande julgamento, o Juízo Final, e ficam assustadas, preferindo nem comentar sobre isso. Se tivermos medo da prestação de contas é porque estamos deixando a desejar – e ainda há tempo para consertarmos isso. Mas a verdade é que naquele dia, Deus separará os bodes das ovelhas. Você tem dúvidas que é uma ovelha? Dê uma olhada em sua lã branca e macia. Tão branca que só mesmo um sangue escarlate teria sido capaz de branquear. E depois de conferir, faça da frase de Belinha o seu lema – deixe as pessoas! Deus, o Justo Juiz, tem a situação de cada um em suas mãos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário