terça-feira, 29 de março de 2011

terminou mas não acabou.


Terminou mas não acabou.

novembro 5, 2009
Lições aprendidas no período pós-seminário
Eu tinha formado em Relações Públicas há apenas 4 dias e já partia para uma cidade desconhecida, rumo aos planos traçados. Profissão?! Bem, melhor dizer ministério. Com uma forte convicção, entendi que Deus me chamava para um período específico de aprendizado da Palavra e preparo para a obra que Ele de fato queria que eu cumprisse. Engavetei o diploma de bacharel e lá fui eu rumo a Belo Horizonte/MG, para estudar no Centro de Treinamento Ministerial Diante do Trono. Era Fevereiro de 2004.
Foram dois anos maravilhosos. Confusos em algumas áreas, tensos em outras, mas sem dúvida alguma foi um tempo de aprendizado, de receber ensino do Senhor e ser tratada em meu coração. Quando lembro daqueles 2 anos penso que acertei em muitas decisões, mas errei em tantas outras. Para os que me conhecem é fácil apontar em quais momentos eu acertei, porém poucos saberiam dizer em quais eu errei. Julguei mal. Caí. Não deixei Deus tratar até o fim porque doía. Abri mão do que não poderia. Perdi oportunidades por causa do orgulho, da preguiça e da falta de perspectiva.
Não, não escrevo para me lamentar. Uma verdade por mim conhecida e vivida é “Deus é bom e a Sua misericórdia dura para sempre”. O seminário terminou, mas não acabou a obra dEle em minha vida. Às vezes queremos que Deus encaixe Sua ação dentro do nosso tempo e ciclo, mas Ele é soberano e cumpre independente de nossa forma limitada de medir o tempo. Érica, minha discipuladora no 1º ano de seminário (mas intercessora e amiga até hoje) me escreveu pedindo para que eu compartilhasse o que fazer e o que não fazer após o seminário. De maneira didática, vou dividir com vocês minhas experiências pós-seminário.
1º: Recorde o que você viveu.
Já se passaram quatro anos desde minha formatura no seminário, mas ainda lembro de algumas coisas como se fosse hoje (e olha que memorizar não é meu forte!). Quando vejo fotos, deixo um recado pra ex-colegas no orkut, escuto alguma música cantada na escola de oração, quando vejo as anotações em minha Bíblia, tudo isso me lembra do tempo vivido. E quando recordo, é como se pudesse testemunhar para minha própria alma, para que dentro em mim os sonhos lá semeados não morram, mas cresçam e dêem frutos. Recordar é manter vivas as promessas do Senhor. É crer que Ele mesmo preparou um tempo – nesse caso, o seminário – para que os Seus sonhos encontrassem terreno fértil e preparado para dar fruto.
2º: Use o que você aprendeu 
Confesso que meus cadernos e anotações continuam em algumas caixas no quartinho da bagunça. Entretanto, desde que terminei o seminário sempre procurei formas de colocar em prática o que ouvi e aprendi. Já dizia Confúcio, “a essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído”. Formei no seminário, trabalhei na escola por mais alguns meses e então Deus me deu um dos maiores presentes: fui convidada a trabalhar em uma mega-igreja, usando minha profissão de Relações Públicas e minha formação teológica. Depois de um ano e meio fui morar na Nova Zelândia e lá fiquei por 2 anos. Com um grande servo do Senhor, meu amigo Leiser, dediquei parte do meu tempo na formação de um grupo de estudos bíblicos para brasileiros. Começamos o grupo com 4 pessoas e após um ano o grupo tinha participação de 60 pessoas! O que aprendi passei adiante. Não existe recompensa maior do que testemunhar
pessoas sendo transformadas através de nossas vidas.
3º: Continue estudando e buscando crescer em Deus
Formar-se
 em teologia não significa possuir toda a verdade. Em profissões seculares, os profissionais precisam de constantes atualizações para se manter aptos a exercerem as atividades com eficiência. Não entendo porque muitos pastores e ministros não fazem o mesmo! Precisamos alimentar nosso intelecto da mesma maneira que alimentamos o nosso espírito com a Palavra de Deus. Um pastor pronto para pastorear é aquele que conhece a sociedade a sua volta, que entende as dificuldades enfrentadas pela igreja atual e que não está alienado, mas confia no Senhor para alinhar inteligência e sabedoria. Não pense que o seminário cursado é absoluto em verdades. Esteja aberto para ouvir novas propostas, novas idéias, sempre pesando tudo e nunca abrindo mãos das verdades absolutas da Palavra de Deus.
Bem, até aí tudo certo. Mas o que não podemos (ou pelo menos não deveríamos) fazer?
1º: Não se compare aos seus colegas 
Depois de algum tempo formada no seminário, percebi que apesar de Deus me usar no ministério, ainda não estava totalmente pronta para a obra e precisei passar por mais um tempo de preparo. Na verdade, penso que a cada dia sou “melhorada” pelo Espírito Santo para poder fazer aquilo que Deus espera de minha vida. O fato é que inúmeras vezes me comparei a meus colegas. Alguns deles atuam de tempo integral no ministério. Vi pastores de ministérios e congregações. Vi ministros de louvor. Vi gente gravando CD, publicando livros. E eu? Eu ouvi uma frase! “Comparação é orgulho. Ou você se acha superior a alguém ou inferior. E em qualquer uma das duas opções, é orgulho pensar que poderíamos criar padrões diante da soberania de Deus”. É uma tarefa árdua, mas tenho me policiado para não me comparar aos outros. Se Deus me fez assim e me colocou onde estou, certamente tem planos para mim neste lugar!
2º: Não aguarde o ministério perfeito para então se envolver
Sempre temos algo do que reclamar. É o novo pastor que chegou; os jovens que não se envolvem no trabalho missionário; as decisões tomadas pelas diretoria que não agradam. Para esse problema, também ouvi e aprendi algo, dito por meu professor e sábio pastor na época do seminário: “Murmurar é dizer: se eu estivesse no lugar de Deus, eu faria diferente”. E lá estamos nós, assumindo postos divinos, tentando ajeitar as pessoas, consertar o mundo para então colocarmos os pingos nos is! Quando pararmos de reclamar e começarmos a agir como verdadeiros cristãos, apesar da imperfeição de nossos ministérios, então vamos impactar um mundo que está carente, não de planejamento estratégico, mas de ações baseadas em amor.
3º: Não duvide do seu chamado
Com o passar do tempo, esquecemos do que Ele prometeu. Somos assim, relapsos, com quase todas as promessas que vivemos. Prometemos desempenhar nossa profissão com ética e igualdade, até o desânimo chegar com a falta do pagamento. Prometemos amar nosso cônjuge na saúde ou na doença, até a invalidez bater às portas do matrimônio. Prometemos ir e pregar, até os confins da Terra, até deixarmos os interesses pessoais se sobreporem ao amor pelo perdido. O mundo oferece tantas possibilidades, nos destacamos na vida profissional, nos deparamos com ofertas incríveis e então duvidamos de um dia termos ouvido a chamada do Mestre. “Deve ter sido empolgação…nada aconteceu depois de toda minha preparação ministerial”. Não duvide! Ele não se atrasa e nunca duvidou de que você responderia ao Seu chamado para representá-Lo aqui nesse mundo.
Você pode estar começando o seminário agora, ou terminando. Pode estar cursando a faculdade sem nunca ter pensado em trabalhar no ministério. Mas a verdade é que todos nós somos chamados para a obra e precisamos brilhar a luz de Cristo através de nossas vidas. E pós-seminário ou pós-chamado, precisamos ter essas lições em nossos corações. As promessas dEle para nós não acabaram…Deixe o Senhor dominar a sua vida e cuidar do seu tempo. Os frutos do trajeto vivido serão eternos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário